
Nos dias 13 e 14 de novembro de 2026, a Waagnatie recebe aquele que é, para muita gente, o melhor festival de cerveja da Bélgica — e o argumento não é opinião nossa: o Billie’s ganhou o prémio de Best Belgian Beer Festival quatro vezes (2017, 2018, 2019 e 2021).
São 60 cervejeiras e cerca de 480 cervejas diferentes. E, ao contrário de quase tudo o resto na Europa, aqui não há tokens: pagas à entrada e provas o que quiseres.
👉 O aftermovie oficial do festival, para veres o ambiente da coisa:
Aftermovie oficial da edição de 2019 — o mais recente publicado pela organização.
São duas sessões distintas: cerca de 240 cervejas por noite, o que significa que sexta e sábado não servem a mesma lista. Quem quer ver tudo vai aos dois dias.

O bilhete é all-in e inclui:
Não inclui comida nem bengaleiro — isso paga-se à parte.
É uma diferença de fundo em relação ao modelo dominante. Num festival de tokens, cada prova é uma micro-decisão de orçamento e as cervejas caras ficam por provar. Aqui a decisão é só uma, à entrada. É também por isso que o bilhete custa o que custa: 112 € por dia. Até 1 de março de 2026 custava 105 € — a organização atribuiu o aumento à subida de impostos na Bélgica.
Os bilhetes estão à venda, através da Eventbrite, e à data desta publicação não estavam esgotados. Há bilhete de dia e combi para os dois dias, a 195 € — mais barato do que dois bilhetes soltos. A organização avisa que o número de bilhetes é limitado.
Esta é a parte que nos interessa mais. O Billie’s não é um festival onde se entra por concurso ou por candidatura: as 60 cervejeiras são convidadas. Estar naquela lista é, por si só, um reconhecimento — e há marcas portuguesas que lá têm chegado.
A Ophiussa, de Setúbal — uma casa pequena, focada em cervejas lupuladas, sours de fruta e clássicos europeus — e a Dois Corvos, de Lisboa, já lá estiveram.
Mas o melhor exemplo é a Fermentage, também de Lisboa, que para a edição de 2025 não levou uma cerveja do catálogo: fez uma de propósito. Chamou-lhe King Billie — uma imperial stout de 10%, lote de stout pesada com uma scotch ale turfada, envelhecido seis meses em barricas de mezcal. Uma cervejeira portuguesa a fazer uma cerveja de raiz para um festival belga, e a batizá-la com o nome do cão da casa.
Não é pouca coisa. Estas cervejas foram servidas ao lado de nomes que a Europa inteira persegue, para um público que atravessa o continente para provar precisamente isto. O panorama português deixou há muito de ser uma curiosidade periférica — está nas mesas onde se define o que é boa cerveja na Europa.
A anunciar. À data desta publicação a organização ainda não divulgou a lista de cervejeiras de 2026 — as listas das edições anteriores estão online, a de 2026 ainda não existe. Atualizamos esta página assim que sair.
Para se perceber o calibre da coisa, esta é uma seleção da edição de 2025 — 64 cervejeiras ao todo, das quais destacamos estas:
Nomes que muita gente atravessa a Europa para provar, e que raramente chegam a Portugal. É contra esta companhia que a Fermentage, a Ophiussa e a Dois Corvos se mediram.
Um erro comum é ir só ao fim de semana do festival. À volta do Billie’s monta-se a Antwerp Craft Beer Week: vários dias de tap takeovers e provas espalhados pelos bares de Antuérpia, a fechar no festival.
Na edição de 2024, a semana correu de 5 a 10 de novembro e o festival foi a 8 e 9. Participaram casas como o Café Pard Af, o Café Service, o Dr. Beer, o Borger Bottles, o Station 1280, o Café Ernst, o Syds Bar, o Cabardouche, o The Norther e o Beer Lovers Bar.
E, claro, o Billie’s Bier Kafétaria — o bar que está na origem de tudo isto. Em 2024 fez um double tap takeover com as norte-americanas Green Cheek e Firestone Walker. É ali que a malta se junta antes e depois, e nessa semana o bar enche.
Se vais fazer a viagem, chega uns dias antes. O bilhete do festival é caro; a semana à volta é de graça.

O nome não é de pessoa nem de cervejeira. Billie era um bulldog francês — o cão do Stéfan Cauwenbergs, que abriu o Billie’s Bier Kafétaria a 13 de dezembro de 2013 e lhe deu o nome do próprio cão. Billie acompanhou-o durante quase doze anos, incluindo em visitas a cervejeiras belgas e estrangeiras, e tornou-se a cara do bar.
Já morreu. Em 2021, os Belgian Beer Awards deram-lhe o título de Personalidade Cervejeira do Ano — a título póstumo. É provavelmente o único cão do mundo com essa distinção.
O festival é organizado pela Black Snow vzw, ligada ao bar e à HopIsHop, e a própria organização se descreve, sem ironia, como um festival “organizado por um cão de Antuérpia chamado Billie”.

O recinto é a Waagnatie Expo & Events, Rijnkaai 150, 2000 Antuérpia, na zona das docas.
Quando é o Billie’s Craft Beer Fest 2026?
A 13 e 14 de novembro de 2026, na Waagnatie, em Antuérpia, das 16h00 às 22h00.
Quanto custa?
112 € por dia, em fórmula all-in.
O que está incluído no bilhete?
Entrada, copo de prova, provas ilimitadas das cerca de 480 cervejas e água recarregável. Comida e bengaleiro pagam-se à parte.
Há tokens?
Não. As provas são ilimitadas, sem tokens nem pagamento por copo.
Vale a pena ir aos dois dias?
São servidas cerca de 240 cervejas por noite, de listas diferentes. Quem quer provar o máximo vai aos dois.
Já houve cervejeiras portuguesas?
Sim. A Ophiussa, de Setúbal, e a Fermentage, de Lisboa, que levou à edição de 2025 uma cerveja envelhecida seis meses em barricas de mezcal.
Posso levar garrafas para partilhar?
Sim, até um máximo de duas garrafas por pessoa.
Qual é a idade mínima?
16 anos, com identificação.
📷 Imagens do site oficial do Billie’s Craft Beer Fest. © Billie’s Craft Beer Fest.